Amada titia...
Quanto mais o tempo passa mais as pessoas vão ficando egoístas, deixando de lado tudo o que é problema referente aos outros. Para uns, este é o certo. Para outros, pura maldade.
Um dia desses perdi alguns preciosos minutos do meu tempo para ver o tão comentado Big Brother Brasil, ou se a senhora preferir, o famoso BBB. Tia Teté do Céu, que coisa terrível!!! Logo de cara deparei com uma forte discussão entre dois dos participantes, como eles costumam dizer, um brother e uma sister. A confusão era porque um havia votado no outro e fora descoberto através de uma telespectadora, participante de um concurso que existe desde o início do programa, onde o ou a concorrente que acertar em quem o brother ou a sister votou para ir ao paredão, ganha um carro zerinho. E toda a semana, quando isso acontece, é a mesma confusão entre eles, e a coisa pega fogo. Para a produção do programa, isto é sensacional. Para o telespectador que acompanha, uma maravilha. Juro titia, que isso me lembrou aqueles jogos de vida e morte que antigamente aconteciam nas arenas de Roma, onde milhares de pessoas torciam pela morte de alguém, e faziam uma verdadeira festa quando isso acontecia, principalmente quando a vítima era um cristão.
Mas voltando ao BBB, os participantes parecem esquecer que estão fazendo parte de um jogo, e que aquele que conseguir jogar melhor será o vencedor. E ao invés de se prepararem pra isso, preferem tentar detonar os outros desafiantes não através de atos, mas de fofocas, jogando assim uns contra os outros e ainda se dizendo amigos.
Ora, minha boa tia Teté, quem disse que amigo se faz de uma hora para outra? Amigo é um ser muito especial e requer muito tempo para se encontrar e elegê-lo amigo. O BBB, na realidade, titia, não é um encontro de amigos e irmãos, mas sim um jogo onde a conquista de uma quantia em dinheiro é o mais importante do que qualquer outra coisa. E é por essa conquista que se briga, que se põe pra fora uns os outros e que se trai. Uma coisa chamada “paredão”, que acontece todas as semanas enquanto durar o jogo, e que virou mania nacional, decide quem fica e quem sai do jogo, através da votação do público, que em grande número torce durante todo esse tempo pelos seus preferidos.
No final, tia Teté querida, vence o mais forte. Aquele que conquistou o público e convenceu a todos com os seus argumentos, que geralmente (aqui pra nós) parecem não serem nada verdadeiros.
E ao término do jogo cada um volta para a sua vida normal, mas não sem antes pelos menos os três últimos finalistas, viverem mais um pouco da fama conquistada.
Quanto a se tornarem “brother,” dificilmente isso acontece. Aqui e ali durante esses dez anos de programa, alguém, com o tempo, fica amigo de alguém, mas nunca acompanhamos tal fato, pois para a mídia, isso já não dá ibope.
Pois é minha maravilhosa tia Teté, isso é apenas mais uma prova de que ninguém se preocupa com ninguém quando o assunto é dinheiro e fama. Todos querem brilhar sozinhos.
Beijos amada.
Fátima Miranda
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